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domingo, 16 de maio de 2010

No rest for the wicked

Então que ontem eu perdi minha carteira. Dentro tinha carteira de identidade, cartão de seguro de saúde argentino, cartão de crédito, cartão de débito, cartelinha de novalgina e moedas. Por sorte ontem eu tive uma luz de bom senso me dizendo para levar pouco dinheiro.

Só percebi que eu estava sem a carteira quando já estava no taxi, a 15 minutos do lugar onde eu tinha ido para comemorar o aniversário de uma das tutoras aqui. Os tutores são alunos ou ex alunos da Blas Pascal que se comprometem a ajudar o intercambista a se integrar na cultura argentina. Ou seja, o trabalho consiste em ter paciência com o nosso espanhol capenga, levar a gente pra beber e apresentar possíveis peguetes.

Cheguei em casa puta, esbravejando palavras de ódio no twitter. Tentei ligar para o número internacional do cartão, mas eu tinha acabado de gastar todos os meus créditos em uma ligação bêbada para o Bossuet (que são mais frequentes do que deveriam ser) e por algum motivo nem o celular e nem o telefone fixo do meu quarto me deixaram ligar a cobrar. Tive que esperar até hoje pra ir comprar créditos no posto de gasolina aqui do lado e ligar pra mamãe resolver tudo pra mim.

Daí que hoje, quando eu estava pegando dinheiro pra ir no posto eu vi meu cartão de débito! Lindo e azul escondido atrás de uma blusa. O cartão de crédito não faz tanta falta. A maioria dos lugares aqui não aceita cartão. Só uso no supermercado. O de débito sim ia fazer falta, ainda mais que estou planejando uma viagem curta a uma das cidades aqui perto de Córdoba.

No final, não perdi coisas que importam muito. Eu nunca gostei da carteira de identidade, a foto é péssima. O cartão de crédito já foi cancelado e outro já está a caminho. Ainda assim mais tarde vou ligar pro bar pra ver se alguém encontrou minhas coisas e devolveu. Como não tinha dinheiro lá dentro eu acho que as minhas chances são boas.

Minha mãe ficou brava comigo. Ela nunca fica brava com essas coisas. Nas vezes que eu bati o carro tudo que ela diz foi "acontece, fica tranquila". Dessa vez não. A primeira coisa que ela me perguntou foi "você tinha bebido muito?". Não sei como mães fazem isso. Elas sabem a gente está fazendo algo errado. Não que eu tivesse bebido muito, mas sóbria eu também não estava. Igual no começo da semana quando eu estava com laringite. A única coisa que ela disse foi "para de fumar." Nada de "ah meu bebê, que dózinha da minha filhinha" igual ela fazia uns tempos atrás. Ela sabe que eu estou gripada por causa da minha vida desregrada, não importa o quanto eu diga que é pelo clima, e não há perdão para os maus.


Friendly Fires - Paris

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